quinta-feira, 27 de agosto de 2009




Vai passar...

Ainda espero você não ligar
Lembro que não vou te ver
Nem te dizer bom dia.
E você ainda mora
Em cada canto do meu percurso diário.
"Você não me ensinou a te esquecer"
Apenas me fez desistir de nós
E eu espero o tempo me passar essa lição
Ele tem sido um ótimo professor.
E por mais entranho que seja,
Machuca menos não te ter
Que me sentir um enfeite "na sua estante".

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

E então?


O insignificante quer ganhar significado

O invisível quer ser visto

O imensurável procura uma medida

O inapropriado às vezes se passa por apropriado

O incolor precisa das cores para existir

O inútil possui sempre alguma utilidade

E o insensível? Às vezes deseja sentir?

Ou não se importa?

domingo, 2 de agosto de 2009


Caramelos.



Vô Joaquim e Vó Quitéria não eram nossos avós de verdade
Eram nossos vizinhos e nos acolhiam em sua casa como se fossemos seus netos
E nossos pais aprovaram chamá-los assim
Já faz muito tempo que a gente não entra na casa deles, pede a benção
E fica de olho nas balas que ficavam num pote de vidro no centro da sala
Ir pra casa deles significava voltar com os bolsos cheios de caramelos e pirulitos
Pessoas doces, apaixonantes
Que marcaram a minha infância
(minha irmã era muito pequena quando nos mudamos e não recorda muito deles. Só lembra dos caramelos)
Havia muito tempo que não pensava neles
Até que numa tarde meu pai comentou:
"Filhas, Seu Joaquim faleceu essa semana"

Não houve queda no meu mundo, pois já não tinha proximidade
Mas lembrei de como eles eram, do cheiro doce que a casa tinha e de como eles eram carinhosos
De como Vó Quitéria nos mimava, apesar da ausência do parentesco
E como Vô Joaquim era engraçado e que toda tarde ele descia para jogar dominó com os outros senhores.
...Talvez eu vá ver Vó Quitéria...
E peço a Deus que guarde Vô Joaquim.
...tenho certeza de que toda vez que eu tentar puxar uma lembrança da minha infância até os meus 8 anos de idade vou lembrar dos caramelos.
 
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